ESPECIAL DJAIR GARCIA - PREPARADOR FÍSICO DO CHIRAG UNITED, DA ÍNDIA 
Por Fanáticos por Futebol e Futebol Interior Entre os mais de 4,5 milhões de habitantes da cidade de Calcutta, no Leste da Índia, um brasileiro merece destaque pela coragem e pela perseverança em busca do sucesso. Djair Miranda Garcia, paulista de Amparo-SP, deixou o Rio Claro, no interior paulista, onde trabalhava no time da cidade como preparador físico, rumo à Índia. A empresa Chirag Computers, que patrocina o time em que trabalha desde julho de 2008, o Chirag United SC, viu seu currículo num site de futebol e vídeos se seu trabalho no Youtube, e resolveu contratá-lo. Curiosa foi a forma como os dirigentes do clube indiano travaram o primeiro contato com Djair.” Eles (indianos) me ligaram às 2 horas da manhã , e eu, com sono, atendi. Quando ouvi que queriam me contratar, em inglês, não acreditei. Pensei, mesmo, que estivesse sonhando.” Mas ele não estava. Depois de três semanas de muitas conversas, o então preparador físico do interior de São Paulo estava prestes a fazer as malas e embarcar para o país da segunda maior população do Mundo. A tarefa mais difícil foi deixar a mulher e a filha no Brasil, em Amparo(SP). Mas isso ele conseguiu superar com o tempo. Meses depois, ambas foram para Índia, em definitivo. A filha chegou, inclusive, a trancar a faculdade de nutrição para aprender inglês fluentemente. O primeiro desafio de Djair foi mostrar serviço. Afinal, no futebol indiano poucos são os clubes privilegiados que podem contar com uma comissão técnica bem formada, com direito a preparador de goleiros, preparador físico, fisiologista...Lá, na maioria dos casos, um treinador exerce todas as funções.”Eles são do tipo ‘X-tudo’(risos). Fazem de tudo.”, explica Djair, em meio às risadas. E conseguiu mostrar a força de seu trabalho logo no primeiro ano.Depois de apenas uma temporada, seu trabalho foi logo reconhecido e as propostas de outros clubes da própria Índia surgiram, porém ele resolveu optar pelo Chirag e pela promessa que seus dirigentes haviam feito: “Eles disseram que trariam, no ano em questão, a minha família para cá. E fizeram isso.”, diz ele, orgulhoso da escolha que fez. 
Djair teve que se adaptar, na Índia, a um futebol lento, pouco dinâmico, onde quem mais se destaca são jogadores estrangeiros, principalmente sul-americanos. Devido ao hinduísmo e ao fato do indiano não poder, em decorrência dessa religião, comer carne de vaca, ele diz que eles são mais fracos e mais baixos de estatura. “ Eles aqui não têm, nas escolas públicas, aulas de educação física. Não aprendem o básico. A maioria começa no futebol com 20 anos, sem ter passado por uma categoria de base, um aprendizado, isso dificulta. Tenho me empenhando nos treinos, agora, em ensinar o básico para eles de uma preparação física, coisa que os ‘X-tudo’ daqui não fazem. Foi aí que descobri por que a Índia é a 132ª colocada no Ranking da FIFA.”, explica Djair, que sonha em ser chamado para comandar a preparação física da Seleção nacional. Quem acha que foi fácil para esse paulista ligado desde sempre ao futebol se adaptar aos costumes indianos, se engana muito. Um dos maiores problemas de Djair era na comida, exageradamente apimentada .”A situação era a seguinte: comer e correr para o banheiro”, diz brincando. Outras duas histórias bem curiosas aconteceram no clube. A primeira, no refeitório, quando Djair se levantou para pegar água, um ave passou por cima de seu prato e pegou seu peixe. Ele não acreditou.” Naquela hora senti saudades do meu Brasil. Parecia que estava em outro planeta, onde peixes voam”.O outro episódio aconteceu no campo principal, minutos antes do treinamento de uma tarde de segunda-feira. O preparador conta: ”Haviam macacos espalhados pelo campo inteiro. Cheguei até a perguntar para o técnico se era com eles que iríamos jogar. Fui pegar a máquina no vestiário, mas quando voltei eles haviam saído. Foi incrível e estranho”, conta o único preparador físico brasileiro do país, que ainda admite não ser difícil se deparar com um rato nas ruas de Calcutta.”É desagradável”. Depois de quase dez meses na Índia, Djair chegou de ferias ao Brasil para o devido descanso. "Minha equipe tinha como meta simplesmente se manter na primeira divisão Nacional, por ser um dos caçulas da divisão nesta temporada. Apostaram na preparação física e o resultado foi melhor do que todos esperavam”, disse ao Portal Futebol Interior.
Com todo o trabalho, o time terminou em oitavo lugar, com 26 pontos. Isto, fez com que o brasileiro chamasse a atenção de outros clubes indianos. Garcia chegou a receber propostas, inclusive de times grandes da capital, mas preferiu se manter onde está atualmente, pois o clube oferece boa condições de trabalho e projetos a longo prazo.
“Duas semanas antes de terminar a competição, já havia recebido propostas de outros clubes para próxima temporada, mas preferi renovar com meu time, que vai me oferecer uma condição boa de trabalho e terei a missão de organizar as categorias de base também”, explicou o preparador físico. Mas Djair não esqueceu sua origem humilde e tratou de ajudar outras pessoas. Logo no inicio do Campeonato Indiano, ele fez uma promessa. Caso a equipe conseguisse se manter na primeira divisão do campeonato nacional, iria doar cesta básica para uma comunidade carente de Kalyani, o que acabou acontecendo.  Djair doando as cestas básicas
“No inicio da competição, eu já tinha feito uma promessa em caso do clube se manter na primeira divisão de doar na cidade onde fizemos a nossa pré-temporada. Acabei pagando minha promessa, em uma experiência muito boa e consegui ajudar 22 famílias carentes”, comentou. O clube, com essa experiência, está atrás de brasileiros. A diretoria quer contratar alguns jogadores brasileiros, o que melhoraria ainda mais o relacionamento. Segundo o comandante, o primeiro acerto foi com o zagueiro Eduardo, que já atua no futebol indiano.
“Vou estar atento aos jogos das Séries A3 e A2 em São Paulo, na qual poderei observar talvez um ou dois atacantes goleadores para meu time. Além disso, acredito que, pelo que conheço estas divisões, estes atletas tem tudo para dar certo no futebol indiano”, finalizou.
Escrito por Roberto Silva às 23h04
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